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sexta-feira, 31 de março de 2017

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE 2017 - CÂMARA RIO-GRANDENSE DO LIVRO

Marie Ange Bordas, Fabio Monteiro e Selma Maria têm agenda cheia na Feira do Livro de Porto Alegre

Mais três autores têm atividades confirmadas na programação da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. Confira abaixo quem são.

Marie Ange Bordas é artista multimídia, escritora e pesquisadora. Desde 2001 desenvolve projetos participativos de arte, alfabetização visual, literatura e mídia de forma independente no Brasil e no mundo (França, Inglaterra, África do Sul, Quênia, Etiópia, Sri Lanka, Haiti, Colômbia). Idealizadora e autora do Projeto Tecendo Saberes (livros "Manual das crianças do Baixo Amazonas" e "Manual das crianças Huni Kui"), contemplado pelo Prêmio Petrobrás Cultural; autora dos livros infanto juvenis “Manual da criança caiçara” (Ed.Peirópolis), e coautora e ilustradora do livro “Histórias da Cazumbinha” (Ed.Cia das Letrinhas). Autora dos livros "Geografias em Movimento" (Edições Sesc) e "Notes from away"(Price Claus Fund). No dia 14 de novembro, às 9h, ela encontra leitores do Ensino Fundamental no ciclo O Autor no Palco, no Tetro Carlos Urbim; à tarde, participa de encontro com estudantes em escola municipal de Porto Alegre pelo Programa de Leitura Adote um Escritor. No dia 15 de novembro, às 9h, apresenta palestra no Seminário de Práticas de Mediação da Leitura, no auditório da Livraria Paulinas (R. dos Andradas, 1212 - Centro, Porto Alegre/RS).

Fabio Monteiro é natural do Recife/PE, mas já perdeu as contas dos anos que mora em São Paulo. Formado em História pela UFRPE e especialista em História, Sociedade e Cultura pela PUC/SP, conta histórias reais para seus alunos e outras que de tanto repetir, já se tornaram verídicas também. Autor de livros para crianças de todas as idades, em 2016 foi contemplado com o Prêmio Jabuti e o selo altamente recomendável FNLIJ com o livro "Cartas a povos distantes" (Ed. Paulinas). É autor de "Sertão" (Ed. Paulinas), "Ulisses sabe escolher" (Editora Abacatte), entre outros títulos. No dia 10 de novembro, às 9h, participa do O Autor no Palco com alunos do Ensino Fundamental no Teatro Carlos Urbim. À tarde, tem encontro em escola municipal de Porto Alegre pelo Programa de Leitura Adote um Escritor

Selma Maria é paulistana, escritora, arte educadora, pesquisadora de brinquedos, atriz performática, contadora de palavras e artista plástica. O primeiro livro que ela escreveu foi "Um pequeno tratado de brinquedos para meninos quietos" (Ed. Peirópolis). Seu lançamento mais recente é "Maria José é, José Maria ia" (Ed. do Brasil). No dia 9 de novembro, às 15h30min, Selma participa do ciclo O Autor no Palco, no Teatro Carlos Urbim, com alunos do Ensino Fundamental. No dia 10 de novembro, pela manhã e pela tarde, encontra leitores em escola municipal de Porto Alegre pelo Programa de Leitura Adote um Escritor.

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre acontece de 1º a 19 de novembro na Praça da Alfândega, Centro Histórico da capital gaúcha.

domingo, 19 de março de 2017

LEITURA DOS CLÁSSICOS POR CONTEMPORÂNEOS

    





        Nada mais plausível para o mundo contemporâneo que o retorno a leitura dos contos de fadas. Neles encontramos muitos símbolos de poder e que contribuíram como elementos históricos da representação e compreensão da realidade da sociedade que os criou. Conseguimos entender como tantos elementos das culturas medievais e modernas europeias permearam o imaginário da população e as histórias populares que circularam a priori de boca-em-boca até o registro escrito e suas publicações para fortalecimento de uma cultura letrada. 
   Não é de se estranhar que Bruxas, assassinos, madrastas perversas, pais negligentes, filhos abandonados, horrores sociais no espaço público e privado eram tão comuns nesses contos dos séculos XVIII e XIX, nada mais que o reflexo de uma perversa realidade. Em se tratando da sociedade que os produziu, os resultados até foram atenuados em relação ao cotidiano daquele tempo na vida europeia. Lugares precários que não reconheciam na criança sua singularidade, negligenciavam suas peculiaridades, explorando-as em trabalhos insalubres, educando pelo medo ou sujeição a moralidade do adulto, pela violência explícita. Adultos incapazes de perceberem as construções imaginativas e possibilidades de transgressões da infância, fato que deforma a real capacidade delas e provoca danos tão graves quanto o infanticídio comum àquele período. 
    Ler contos de fadas pode ser uma ótima oportunidade de pensar sobre a realidade de muitas crianças na contemporaneidade;trabalho em troca de migalhas, esforço para a incerteza de um futuro obscuro, modelos equivocados de adultos e insegurança nos seus lares. O que elas podem esperar do futuro?
      Pensar nessas questões é abrir espaço para refletirmos sobre a literatura como um campo do conhecimento desejável na sua importância e estudado na sua complexidade, assim como pensar no que nós oferecemos as nossas crianças nas suas leituras. Será que as desafiamos a pensarem sobre o lugar delas no mundo e o instigante exercício de viver seus dilemas atuais? Os livros que propomos dialogam com o exercício coerente da cidadania? Será que essas escolhas apontam para a reflexão sobre os estereótipos misóginos, étnicos, de gêneros e xenofóbicos atuais? E as imagens, são instigantes para a construção imaginativa sem os padrões pré-estabelecidos pelas grandes indústrias do cinema e de produção massificadas? Certo que isso não é função e nem prioridade da literatura para crianças, mas sabemos também que os livros narrativos podem estimular as reflexões sobre as questões apresentadas. 
    Relendo os contos de fadas de Perrault, irmãos Grimm´s e Andersen, percebe-se uma forte influência das construções culturais do seu tempo, e como cada autor carrega as demandas da sua época, inclusive em relação aos apelos do público em transformação e das exigências do mercado editoral. Nada é tão inocente e muito menos sacralizado, merecendo atenção dos adultos e crianças na estruturação dessas histórias e na historicidade desses contos. A importância de compreender a origem dessas criações e sua composição como objeto cultural de um determinado tempo histórico é fundamental para que esses autores e suas produções sejam ainda mais reconhecidas como fundamentais nas leituras e desconstruções dessas histórias por nossos leitores em formação.  
      Para aqueles que pretendem conhecer um pouco mais sobre literatura para crianças e ajudá-las no seu processo de formação literária, vale algumas dicas:

·   A literatura para crianças é uma literatura tão importante e complexa quanto a literatura para adultos;
  • A criança lê com um olhar diferente do adulto, portanto promova essa experiência sem direcionar exageradamente o olhar dela e sem acreditar apenas na sua maneira de compreender os livros. 
  • Os livros para crianças merecem temas relevantes, mas não escolham esses livros apenas por isso, pensem na importância da linguagem, no desafio da leitura, no jogo das ideias, na relação entre ilustração e texto verbal. 
  • Vale a pena garantir o diálogo após a leitura dos livros infantis e escutar o que as crianças têm a dizer. 


terça-feira, 14 de março de 2017

A MENINA QUE CONTAVA - NOVA EDIÇÃO




No livro A menina que contava, a personagem Alga enxergava números nas coisas. Ela gostava dos números e os números gostavam dela. Desde o velho casaco, presente de sua mãe, com seus inúmeros botões até as estrelas mortas e seus anos-luz, Alga contava tudo... Inventava histórias sobre descobridores só para calcular os dias da viagem e era somas e multiplicações das 24 horas pelos 60 minutos vezes 7 dias para se chegar ao fim do mundo... Sabia calcular sem usar os dedos... perdia nas competições de classe só para calcular de novo e manter os amigos... A menina contava tudo... até os minutos que levaria para chegar o socorro, quando escorregou no caminho de volta pra casa. Contava os centímetros enquanto crescia... Até que, aos 20 anos, encontrou um rapaz que contava histórias e com ele se casou. Juntos tiveram dois meninos e para não acumularem milhões e milhões de coisas como todo mundo faz, começaram a dividir suas experiências com os outros.
Com um projeto gráfico de criatividade incalculável, desenvolvido por André Neves, essa obra vai deixar no pequeno leitor um gostinho de: Ah, conta mais!!!



Leia sobre um projeto de matemática desenvolvido utilizando esse livro. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

ALEGRIA


Tantos temores assombraram a casa da infância; o risco de desabamento, as chuvas que não cessavam, os horrores do banditismo urbano, a violência enclausurante do toque de recolher. Eram tantos os empecilhos para o exercício da cidadania; o feijão era pouco na panela, a voz era seca na garganta, os irmãos eram muitos na casa e as divisões das sobras eram sempre maiores. Os resultados precários, as vidas minúsculas, os morros cada vez mais encharcados de gentes de todas as cores, de muitos lugares, umas vivas e outras caminhando até quando dava. 
Eram tantos riscos, tantas lutas, tantos sonhos dispersos num cotidiano bruto. 
Eram tantos amores, eram tantos que nem dava para contar na multidão. 
Olhei para o céu e vi o cristo reluzente acima de uma comunidade também acesa de alegrias passageiras. Sensações e desejos misturavam-se naquele sobe e desce de fantasias e realidades de trabalho de um ano inteiro para adentrar a avenida. 
Era a caminhada para a letargia dicotomizada do carnaval. A vida, a vida mesmo, explodiria na avenida, ela que na quarta já seria cinzas. 
Carnavalizando,carnabalizando, carnalterando, sem chance de retorno. 
Tantos morros desceram para a folia, tantas vidas sumiram em fantasias e só se via brilho e alegria. 
Essa era a magia, a fuga de uma realidade perversa que retorna todos os dias, e por isso, fugimos para brincar sempre que oportuno. Com nossa sorte, com os poucos recursos, transitórios, nada sobrando para o dia seguinte. 
E ficaram colares para uma próxima folia, quem sabe com um pouco de esperança para além da fantasia. 
Ele, pequeno, brincou na multidão até o final do dia, depois, dormiu nos braços da mãe ouvindo o som ensurdecedor de machinhas e sambas.