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quarta-feira, 29 de maio de 2013

FLIPAR por COLÉGIO PARTHENON


FESTIVAL LITERÁRIO PARTHENON

O Colégio Parthenon promove, no próximo dia 08 de junho, o maior evento literário de Guarulhos em 2013.

Apresentação de trabalhos

Presença de grandes autores e ilustradores

Oficina de quadrinista

Contação de histórias

Salão do Livro
Sessão de autógrafos
e muito mais....
 

terça-feira, 28 de maio de 2013

FLIPAR por COLÉGIO PARTHENON







Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.
Por isso, deveria existir um tempo na vida adulta dedicado a revisitar as leituras mais importantes da juventude. Se os livros permanecerem os mesmos (mas também eles mudam, à luz de uma perspectiva histórica diferente), nós com certeza mudamos, e o encontro é um acontecimento totalmente novo.
Portanto, usar o verbo ler ou o verbo reler não tem muita importância.

                                                       Ítalo Calvino

sábado, 25 de maio de 2013

SOBRE O TEATRO COTIDIANO por BERTOLD BRECHT

ESPETÁCULO COLETÂNEA - DE 1 A 30 DE JUNHO ÀS 19HS.


Vocês, artistas que fazem teatro em grandes casas,
sob sóis artificiais, diante da multidão calada,
procurem alguma vez aquele teatro encenado na rua.

Cotidiano, vário e anônimo.
Mas tão vívido. Terreno.
Nutrido da convivência dos homens.
O teatro que se passa nas ruas.

Aqui a vizinha ao imitar o proprietário,
deixa claro, demonstrando sua verbosidade,
como ele busca desviar a conversa sobre
o cano d’água que arrebentou.

À noite, nos parques, rapazes mostram à garotas risonhas,
como elas resistem e resistindo mostram habilmente os seios.
E aquele bêbedo, mostra o pastor em sua pródiga, remetendo
os despossuídos aos ricos pastos do paraíso.

Como é útil esse teatro, como é sério e divertido.
E digno!

Não como papagaios e macacos imitam eles,
apenas pela imitação em si, indiferentes ao que imitam,
apenas para mostrar que sabem imitar bem;
não, eles têm objetivos à frente.

Que vocês, grandes artistas imitadores magistrais,
não fiquem nisso abaixo deles. Não se distanciem, por mais
que aperfeiçoem sua arte, daquele teatro cotidiano
cujo cenário é a rua.

Vejam aquele homem na esquina!
Ele mostra como ocorreu o acidente.
Neste momento entrega o motorista, ao julgamento da multidão,
como estava ele ao volante. E agora imita o atropelado, aparentemente
um velho homem. De ambos transmite apenas o tanto para tornar
o acidente inteligível, porém o bastante para que apareçam claramente.
Mas ele não mostra ambos como incapazes de evitar um acidente.
O acidente torna-se assim inteligível e também ininteligível,
pois ambos podiam fazer outros movimentos; agora ele mostra
como eles poderiam ter-se movimentado, para que
o acidente não acontecesse.

Não há superstição nessa testemunha, ele não vê os mortais
como vítimas dos astros, somente dos próprios erros.
Notem também sua seriedade e o cuidado da sua imitação.
Ele sabe que da sua exatidão muito depende.
Se o inocente escapa à ruína. Se o prejudicado é compensado.
Vejam-no a repetir o que já fez. Hesitante.
Pedindo ajuda à memória, incerto de que a imitação seja boa.
Interrompendo. Solicitando a um outro que corrija isso ou aquilo.
Isto observem com reverência! E com assombro!

Queiram observar que este imitador nunca se perde
em sua imitação. Ele nunca se transforma inteiramente
no homem que imita. Sempre permanece o que mostra,
o não envolvido, ele mesmo. Aquele não o instrui.
Ele não partilha seus sentimentos, nem suas concepções.
Dele sabe bem pouco.

Em sua imitação não surge um terceiro,
dele e do outro, de ambos formado, no qual
um coração batesse e um cérebro pensasse.
Ali inteiro está o que mostra, mostrando
o estranho nosso próximo.

A misteriosa transformação que supostamente
se dá em seus teatros entre camarim e palco:
um ator deixa o camarim, um rei pisa no palco,
aquela mágica da qual com freqüência vi a gente
dos palcos rir, copos de cerveja na mão,
não ocorre aqui. Nosso demonstrador da esquina
não é um sonâmbulo a quem não se pode tocar.
Não é um Alto Sacerdote no ofício divino.
A qualquer instante podem interrompê-lo!
Ele lhes responderá com toda a calma e
prosseguirá quando já lhes tiver falado
sua apresentação.

Mas não digam vocês:
O homem não é um artista!
Erguendo uma tal divisória entre vocês e o mundo,
apenas se lançam fora do mundo.
Negassem ser ele um artista,
poderia ele negar que fossem homens.
E isto seria uma censura maior.

Digam antes:
Ele é um artista, porque é um homem.
Podemos fazer mais perfeitamente
o que ele faz, e ser por isso festejados,
mas o que fazemos é algo universal,
humano, a cada hora praticado no burburinho das ruas.
Para o homem tão bom quanto respirar e comer.

Assim o seu teatro nos leva de volta às questões práticas.
Nossas máscaras, digam nada são de especial,
enquanto forem somente máscaras.

Ali o vendedor de xales põe o chapéu redondo de sedutor,
segura uma bengala, até um bigode cola sob o nariz,
e atrás do seu balcão dá uns passos alegre
indicando a vantajosa mudança que
através de xales, bigodes e chapéus
logram os homens.

E nossos versos, digam:
Vocês também possuem!
Os vendedores de jornais gritam as manchetes
em cadências e assim intensificam o efeito
e tornam mais fácil a repetição constante!
Nós falamos textos alheios, mas os namorados,
os vendedores, também aprendem textos alheios,
e com que frequência.

Todos vocês citam ditados!
Assim máscara, verso e citação tornam-se comuns.
Mais incomuns a máscara vista com grandeza,
o verso falado bonito e a citação apropriada.

Mas para que nos entendamos:
Mesmo se aperfeiçoassem o que faz o homem da esquina,
vocês fariam menos do que ele, se o seu teatro fizessem
menos rico de sentido, de menor ressonância na vida do
espectador, porque pobre de motivos e menos útil.

 

terça-feira, 14 de maio de 2013

COLETÂNEA POR RENATO ANDRADE




PEÇA INSPIRADA NA OBRA DE EDUARDO COUTINHO ESTREIA EM SÃO PAULO
Coletânea homenageia os 80 anos do cineasta e mescla ficção e realidade.

 Sábado, dia 1 de junho, estreia no Teatro Ivo 60, o “documentário cênico” Coletânea. A dramaturgia do diretor Renato Andrade faz uma mixagem de histórias vividas pelos atores com personagens extraídos de documentários. Soma-se ao espetáculo, a inclusão de textos clássicos, que disfarçadamente compõem os relatos.


domingo, 12 de maio de 2013

O MENINO QUE GANHOU UM RIO por MANOEL DE BARROS




Minha mãe me deu um rio.
Era dia de meu aniversário e ela não sabia o que me presentear.
Fazia tempo que os mascates não passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse minha mãe compraria rapadura ou
bolachinhas para me dar.
Mas como não passara o mascate, minha mãe me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atrás de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate.
Meu irmão ficou magoado porque ele gostava do rio igual aos outros.
A mãe prometeu que no aniversário de meu irmão ela iria dar
uma árvore para ele.
Uma que fosse coberta de pássaros.
Eu bem ouvi a promessa que a mãe fizera ao meu irmão e achei legal.
Os pássaros ficavam durante o dia nas margens do meu rio e de noite eles iriam dormir na árvore do meu irmão.
Meu irmão me provocava assim: a minha árvore deu lindas flores em setembro.
E o seu rio não dá flores!
Eu respondia que a árvore dele não dava piraputanga.
Era verdade, mas o que nos unia demais eram os banhos nus no rio entre os pássaros.
Nesse ponto nossa vida era um afago!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

PISCA-PISCA por MONTEIRO LOBATO



...a vida, Senhor Visconde, é um pisca - pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda,
Até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?


(Trecho extraído de Memórias da Emília)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

DIARIAMENTE por NANDO REIS



Para calar a boca: Rícino
Para lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para adidas o conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda-sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser model: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Para estourar pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para os dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: diariamente

sexta-feira, 3 de maio de 2013

SIMPLES por FÁBIO MONTEIRO



Tenho um gosto de felicidade que não sai de mim.
Um gosto esquisito e confortável que tudo está no lugar; gavetas, colchões, pijama e janela.
Tenho uma sensação de tudo na devida mudança; movimento que não cessa que não descansa nem quando durmo.
Tenho uma sensação de cadeira junto à mesa, de toalha de banho secando no varal, de louça solitária sob a pia.
Tenho um jeito de  felicidade em pijama, colchão feito janela e um gosto esquisito de louça em gavetas.
Ontem acordei e baguncei tudo, inverti a ordem: subi escadas de costa, obedeci meu cão e levei a planta seca para ver o sol.
Foi bom esse gosto diferente, esquisito e desconfortável.