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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

JORNAL DE LETRAS por ANNA MARIA DE OLIVEIRA RENHACK






Descobertas

Gosto de passear nas livrarias entre os livros em destaque, observando tendências e a comunicação objetiva e criativa das capas. Nos espaços destinados aos pequenos leitores, me deixo conduzir pelas histórias mágicas, sempre me impressionando com a criatividade e a beleza artística de autores e ilustradores e o cuidado das edições. As livrarias são espaços de aconchego e troca, de cumplicidade e enlevo. Pena que ainda não há um destaque maior para a literatura infantil propriamente dita, prevalecendo os brinquedos encadernados. Quando participo de encontros e feiras, também tenho a oportunidade de abrir os olhos para as novidades, para o encontro com os profissionais do livros, conhecendo um pouco mais da trajetória de cada um. No recente Salão da FNLIJ, o passeio entre os estandes me proporcionou conversas e aquisições interessantes de obras que me encantaram.
Compartilho em nossa página a alegria desses encontros mágicos, reforçada pelas publicações que sempre nos enviam editoras amigas.

 

Os três ratos de Chantilly – de Alexandre Camanho (Pulo do Gato), obra premiada pela FNLIJ na qual a beleza das ilustrações e a qualidade da produção editorial comprova que atingimos padrão editorial de igualdade com os livros produzidos no exterior. Autor e ilustrador, Camanho tem por base o conto Os três cegos de Compiègne e aproveita a ideia do amor materno que é atribuído às corujas pelo saber popular (Quem ama o feio bonito lhe parece!) para criar uma história cheia de surpresas, em que os três ratinhos, enganados pela ave, acabam superando suas dificuldades e levando a melhor. 

 

Desde Aí é outra história... (Galera Record) Maurício Veneza, autor e ilustrador, nos encanta com recontos sobre os contos de fadas. Em Roy encontra Cinderela (abacatte), Veneza nos apresenta o Diário de Roy, que narra a história de Cinderela e suas irmãs, com a ida ao baile com a ajuda da fada madrinha e a busca do príncipe pela dona do sapatinho perdido. Roy é o esperto ratinho amigo de Cinderela e, ao final, também recebe um prêmio por sua dedicação. Uma delícia!



Esse urso rabugento que parece que está de mau humor acaba se revelando bem mais simpático e amigo do que parece. Dessa vez, ele está com muita fome e os peixes estão sumindo do rio. Até que ele sente um puxão e pesca... Outro urso!!! Um urso polar que não encontra onde morar com o gelo derretendo! O urso esfomeado, de Nick Bland, com tradução de Gilda de Aquino (Brinque-Book) é ótima oportunidade para conversar de maneira bem divertida sobre ecologia com os pequeninos!

 

Agora é a vez da girafa! Fabrício Carpinejar é conhecido por seus textos românticos que encantam seus leitores. Em A girafa é minha, com ilustrações de Miguel Tanco (SM), o autor busca uma solução criativa para a menina Paula, que está decidida a levar a girafa Theo para casa. Paula acaba aprendendo uma porção de coisas sobre as girafas e decide que o melhor é que ela permaneça no Zoológico, mesmo ela sendo a sua dona!



Estive com Carme Solé Vendrell, em 2014, em Bolonha (foto). Conversamos sobre seus projetos e sobre as obras ilustradas por ela, publicadas no Brasil (Carme ilustrou os contos juvenis extraídos da obra de Gabriel García Márquez, editados pela Record). Já conhecia a edição espanhola de La cruzada de los niños, texto emocionante de Bertolt Brecht, sobre a peregrinação de um grupo de crianças órfãs fugindo dos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial. Agora publicado no Brasil, A cruzada das crianças, com tradução de Tercio Redondo (Pulo do Gato), nos sensibiliza com a força do texto e a dramaticidade dos desenhos de Carme.



E uma outra guerra também nos comove. A história vai caminhando aos poucos, através da troca de cartas entre dois amigos estimulados pela curiosidade e pelo fato de ambos se chamarem Giramundo: o Giramundo do Brasil e o Giramundo de Angola. No mundo moderno, com a internet ligando tudo em tempo real e onde as redes sociais cruzam o globo, Fábio Monteiro recorre às cartas para contar uma história sensível, com as descobertas de um menino brasileiro e de seu xará em Luanda. As notícias da guerra civil, das dificuldades e esperanças do pequeno africano afligem e sensibilizam o menino brasileiro. André Neves captou (como sempre) com sensibilidade e leveza o texto de Cartas a povos distantes (Paulinas). E, através da literatura, aprendemos história, geografia e amizade!

Para terminar com alegria, um brinde aos amigos queridos que compartilharam a felicidade de Nelson Cruz ao receber o Prêmio de Literatura Infantil da Academia Brasileira de Letras com O livro do acaso.





 




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