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sábado, 16 de julho de 2016

LIVRARIA LELLO, PORTO, PORTUGAL


        Férias é momento de descontração, alegria e descanso. Tempo de encontrar motivos para conhecer lugares, realizar sonhos, ocupar um espaço a mais na memória com novas experiências, paisagens e amizades. É delírio em encontrar o inesperado, mergulhar em espaços desconhecidos, mas é também a possibilidade em realizar projetos realmente muito esperados. 
           Dentre eles, havia um escondido entre as prateleiras dos meus desejos, imagens já vistas em postais, sites, mas que guardava a certeza que o contato seria melhor que as representações. E estava certo, nem de perto as imagens já vistas provocaram tanto meus sentidos como adentrar as portas da livraria Lello. Senti primeiro o Porto, depois meus sentidos foram aguçados por um mundo maior. Os cheiros, as gentes, os livros, a madeira, a luminosidade, o atendimento, o cuidado com os detalhes, com as entrelinhas, com as memórias. Menor fisicamente do que eu imaginava, mas grandiosa devido sua importância para o mundo dos leitores. 
           Pensei na minha relação com os livros, na minha vontade de ter vidas inúmeras para dar conta de todas as leituras. Pensei também na importância em preservar os patrimônios históricos, a arquitetura que guarda no seu tempo arte e memória, e lembrei de nossos dilemas no Brasil, nossas histórias desfeitas pela falta de cuidado com nossos patrimônios, nossos projetos de formação leitora, nossos autores... tudo nosso. Nosso? E por isso, silêncio. Silêncio de coisas desfeitas. Silêncio de recomeço, silêncio de novos projetos para contribuir com a formação dos meus leitores, com a formação leitora de meu pais.  
            
            

        E segui adiante por entre imagens e imaginações para alegrar minha passagem por esse lugar de encantamento, compreendendo que não há saída melhor para nossos dilemas que a preservação de nossos sonhos e a projeção deles nas suas concretizações de maneira emergencial. 

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