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domingo, 10 de junho de 2018

COMO NATUREZA - EDITORA ABACATTE

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Escrito por Fábio Monteiro e Ilustrado por Elisabeth Teixeira.


"Com uma prosa delicada, Fábio Monteiro escreveu Como natureza, um texto que deságua na companhia das aquarelas de Elisabeth Teixeira (Abacatte, 2013) para representar um lugar mais distante que o infinito. Em uma primeira leitura, este lugar é própria infância e sua psicosfera especial que se abre, cresce, ilumina-se e pode se desenvolver através de belezas, ainda que uma dor se enfie como agulha pelo umbigo de Joaquim. Numa noite fria, veio o sintoma da rápida doença que o médico descobriu, então, enraizada pelo corpo do menino. “A mãe baixou a cabeça para esconder os olhos que choviam. O pai entendeu a gravidade e foi embora para sempre.” Porém, Joaquim sorriu. Compreendia que uma vida nova transbordava dentro de si. Viraria semente para ser plantado na terra. E assim foi".

PETER O SEGAE - CRÍTICO LITERÁRIO E ESCRITOR

quarta-feira, 23 de maio de 2018

SERTÃO por Fabiane Vitiello



Se há algo nessa vida que adoro presentear ou ser presenteada é um bom livro. E para minha alegria ontem ganhei um novo. Esse já estava sendo bastante aguardado. Nos bastidores, vez ou outra, recebia notícias do livro. Pequenas vantagens de ser próxima ao autor! Adooooro esse tipo de regalia.
Sertão ( ou seria Ser tão ?) me envolve logo nas primeiras páginas. Palavras sensíveis expressas tão belamente no texto. Palavras como ritual, intenso, frestas, estática, sobras, caudaloso, entre outras que estalam em meus lábios e ressoam em meus ouvidos. Palavras que me tomam nos braços, me acolhem e buscam em mim uma outra história, a minha.
A entrega é total. Leio e referências de outros autores passeiam pela minha cabeça. Autores que também compõem a minha história.
Rubem Alves com seu pássaro que insiste em colorir suas asas em lugares distantes.
Zeca Baleiro com seu beija flor que trouxe consigo seus beijos saudosos.
Saint Exupéry com seus diálogos entre a raposa e o príncipe nos lembrando a importância de ser cativado.



Ou ainda, Manoel ( por quem ando vivendo um caso de amor explícito !) com seu Bernardo que virou passarinho para compôr o amanhecer.
Amanhecer tão presente no dia a dia de Tonho, personagem da história.
Não seríamos todos nós um pouco ( ou muito ) de Tonho ? O impulso de estar juntos não norteia nossas ações ? Não esperamos pelo amanhecer desde que nascemos como uma forma de reencontro ?
Sim, essa é minha crença- nos deitamos todas as noites, desde o nascimento, sedentos pelos reencontros que a vida nos permite. Tudo deve ter começado com um recém nascido que necessitou do reencontro com o peito da mãe  todos os dias para alimentar - se. Daí por diante os reencontros mudam de configuração, mas permanecem presentes.
O que seria de nós sem a possibilidade de um reencontro ?
Reencontros diários que marcam nossos caminhos. Reencontros que tornam- se infinitos ainda que tenham ocorrido em um piscar de olhos. Reencontros que, assim como o pássaro, entram sem pedir licença em nossas vidas e nossos sonhos. Reencontros que nos fazem SER TÃO esperançosos na busca de um novo amanhecer.
Fabio, obrigada por SER TÃO bom com as palavras e fazer chover lágrimas em meus olhos.

Fabiane Vitiello é Pedagoga, Formadora de Professores, sócia-fundadora da Diálogos Assessoria, Mãe do Pedro e uma querida amiga.

terça-feira, 16 de maio de 2017

VOCÊ PODE CONTAR OUTRA VEZ?


Uma das maiores alegrias de um promotor de leitura  é a possibilidade de compartilhar boas histórias com as crianças. Basta a notícia que iremos ler um bom livro, elas acedem seus olhares na direção de algo novo, no movimento do objeto que sai da bolsa e aguça sua curiosidade, num primeiro tilintar de algumas palavras que pressagiam uma boa história. 
O título anuncia o começo de tudo, e é no desenho das letras na capa que a fantasia começa. Depois uma viagem pelo início, o meio e o fim. Mas é lá, na preparação íntima de cada um que essa história precipita antes mesmo de ser narrada pelo leitor. É naquele instante anterior a própria leitura que começa uma viagem de múltiplas possibilidades de compreensão, fantasia e insurreição a própria história. As crianças subvertem a compreensão, constroem sentidos diversos, escutam e negligenciam ações porque são interlocutoras ativas das histórias lidas para elas; escutam o que querem e ressignificam tudo a partir do que entendem ou deixam de compreender.
Por isso, no final de tudo, resta um pedido que martela sempre que te reencontram. Pedido que denuncia o valor que elas atribuem para o saber ler, o aprender a escutar, o convite para viajarmos juntos nesses encontros: você pode contar aquela história outra vez?