Seguidores

domingo, 31 de março de 2013

AS DUAS MULHERES E O CÉU por ILAN BRENMAN





No começo dos tempos, a distância entre o Céu e a Terra era bem pequena: não passava de altura de uma girafa. 
Certo dia, numa aldeia africana, duas mulheres estavam com seus pilões amassando grãos de trigo. Não paravam de falar; era uma fofoca atrás da outra. Uma delas, empolgando-se muito com o falatório, levantou o pilão tão alto que fez um furo no céu. 

- Aaaiiiiiiiiiiiii! - Gritou o Céu. 

Tão animados com a conversa estava as duas mulheres que não ouviram o grito. 
Só que não parou por aí. O espaço celeste começava a ganhar furos e mais furos. As duas aldeãs, de tão empolgadas com o papo, não percebiam que seus pilões estavam rasgando o Céu, embora ele continuasse a gritar. 
Lá em cima, o tapete azulado chorou e berrou, mas nada adiantou. Finalmente, decidiu-se:

- Assim não dá mais! Vou me afastar da Terra o máximo que puder. 

Subiu, subiu o mais alto que pôde. Quando chegou lá no topo do mundo, sossegou:

- Aqui está bom. Ninguém mais vai conseguir me furar. 

Todos os furos que as duas mulheres fizeram nunca mais foram fechados. Os africanos dizem que esses furos podem ser vistos toda noite: São as estrelas no Céu. 

Texto encontrado no livro As narrativas preferidas de um contador de histórias escrito por Ilan Brenman
Postar um comentário